Quando a dor se transforma em esperança

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Quando a dor se transforma em esperança

Poucos dias depois da sua vida parecer ter acabado, a jornalista Michelle Bindemann, decidiu encontrar forças na sua maior dor. Ela perdeu a filha Alícia, de cinco anos de idade, no dia 19 de dezembro de 2021, em um acidente de carro na BR-280, em Rio Negrinho (SC). Hoje, pouco mais de um mês depois, ela transformou a dor em esperança para outras pessoas.

Michelle fundou o projeto Por Você, Alícia, com o objetivo de ajudar mães que passaram por situações parecidas com a dela, por meio de ações pontuais, unindo-as para beneficiar outras pessoas. “Queremos mudar um pouco esse mundo, fazer a diferença na vida das pessoas”, afirma a jovem mãe.

A primeira ação do projeto está sendo a entrega de mochilas escolares, com kits completos de material para crianças mais carentes de várias regiões do estado catarinense. Michelle se inspirou na pequena Alícia, que estava empolgada para iniciar as aulas, porque ganharia uma mochila nova de unicórnio para o ano letivo. “Inicialmente a ideia era montar cinco mochilas e arrecadamos quase 400, que já estão chegando às mãos das crianças”, explica. Algumas dessas mochilas estão sendo entregues pessoalmente, “através do sorriso delas eu sinto um pouco da alegria da minha filha”, diz.

As doações foram arrecadadas em Joinville, São Francisco do Sul, Mafra e continuam ainda em Florianópolis.

Com a sua história, Michelle tem conhecido outras histórias. “Tem sido de grande valia os momentos que tenho com as demais mães. Tenho visto tantas mães batalhadoras, com tantas lutas, com filhos com problemas sérios de saúde, com dificuldades financeiras e essas mães são empáticas com a minha dor e eu com as delas”, afirma.

O grupo que ela vem formando cresce a cada dia e ela conta com apoio de familiares e de amigos de várias cidades. Sua família é de Joinville e hoje ela mora com a irmã, porque ainda não conseguiu voltar para casa depois da morte de Alícia. “As pessoas falam como sou forte, mas eu falo que é uma respiração de cada vez, porque existem muitos momentos de desespero, muitos mesmo, mas tenho dois motivos para levantar todos os dias. Um deles é cuidar do meu filho, pois ele também perdeu a irmãzinha que ele tanto amava e o outro é honrar a vida de Alícia através do bem para outras pessoas”, desabafa. O irmão de Alícia, Guto, tem três anos de idade.

Outros projetos que Por Você, Alícia pretende colocar em prática são campanhas de conscientização de doação de medula óssea e de sangue, que ela recebeu enquanto permaneceu no hospital. Outra ação muito especial que ela pretende levantar com muita força é a conscientização do perigo da mistura do álcool e da direção de veículo.

“Se eu puder, com esse projeto, fazer com que algumas pessoas não dirijam após ingerir bebidas alcoólicas, já estou cumprindo meu papel nesse mundo”, afirma.

O acidente que resultou na morte da filha foi motivado pela mistura do álcool e direção, pois o motorista que provocou o acidente, invadindo a pista em que estavam, havia consumido bebida alcoólica.

“No dia da liberação do veículo foi um dos dias mais difíceis, porque me dei conta do contraste. O nosso carro estava cheio de pães de queijo espalhado. O deles cheio de latas de cerveja vazia. O nosso tinha uma térmica cheia de sucos de tangerina, enquanto que o outro carro possuía uma térmica cheia de bebidas alcoólicas”, diz. Segundo Michelle, o motorista segue preso desde o dia do acidente.

“Se eu puder evitar que outras Alicias sejam arrancadas de suas famílias já estou fazendo a diferença nesse mundo”, reflete.

Se você tiver um testemunho de algo que viveu, conte a sua história, participe do projeto ou crie a sua própria forma de reviver, pois assim como Michelle, você pode fazer com que a dor que esteja sentindo se transforme no sorriso de alguém.